Hoje está em vias de canonização
Cecília Perrín, grávida com
cancro, rejeitou o aborto e
salvou a sua filha Agustina
«Na sala de operações, estando só antes de que me adormecessem pude dizer-lhe
sentindo-o: Sim, Jesus, te dou tudo». Morreu 8 meses depois do parto. Está em
processo de beatificação.
Actualizado 5 de Junho de 2013
Fernando de Navascués / ReL
Nestes dias nos quais se comenta o caso duro das gravidezes de "Beatriz", em
El Salvador, muitos recordam a figura da argentina Cecília Perrín, que se
casou á 30 anos, e apenas uns meses despois encontrou-se grávida e com um
cancro de língua.
Os médicos foram claros: “Há que fazer um aborto terapêutico”. Ceci também
o tonha claro: ofereceria a sua vida pela da sua filha Maria Agustina. Pôsse nas mãos de Deus. A sua filha nasceu em Julho de 1984 em Buenos Aires, e
oito meses depois Cecília morreu: nasceu no Céu. Hoje está em processo de
canonização.
Cecília era focolarina
Cecília Perrín veio ao mundo em 22 de Fevereiro do ano 1957 em Punta Alta,
Buenos Aires. A sua família era profundamente católica e neles parou em
seguida o espírito do Movimento dos Focolares, fundado pela italiana Chiara
Lubich.
Os seus pais, Angelita e Manolo, que pertenciam a esta associação, fizeram-na
participante de uma intensa formação cristã que haveria de apoiá-la nos
momentos mais difíceis da sua doença. Eram cinco irmãos e a sua vida estava
muito unida à paróquia de Maria Auxiliadora, onde se baptizou, recebeu a
Primeira Comunhão e se confirmou.
Antes de casar-se, Cecília trabalhava no Instituto Estrada, onde também
partilhava catequese. As recordações que tem os seus antigos companheiros e
amigos é que Cecília era uma rapariga normal, alegre, que vestia à moda e que
também transmitia um profundo amor a Jesus Cristo, a quem pregava com a
palavra e com o exemplo.
Depois de dois anos de namoro, casou-se com Luis Buide em 20 de Maio
de 1983, faz agora 30 anos. Contam que foi tanta gente à sua boda que
houve que cortar o tráfego porque os seus amigos ocupavam totalmente a o
passeio e o estacionamento.
Os médicos disseram-lhe que abortasse
Em Fevereiro de 1984, quando já levava quatro meses de
gravidez, descobriu uma pequena chaga na boca.
Os médicos estudaram o seu caso e apenas se atreviam a
confessar a doença com a qual se enfrentava: tinha
cancro. Este era irreversível e o tratamento chocava
frontalmente com a sua ilusão de ser mãe. Os médicos
ofereceram-lhe fazer um “aborto terapêutico”, mas ela
pronunciou o seu “Fiat” a Deus com serenidade e apoiada
pela sua família e, sobretudo, pelo seu marido.
A mesma Cecília o afirma: “Hoje pude dizer a Jesus que ‘sim’. Que creio no seu
amor mais além de tudo, e que tudo é Amor Dele. Que me entrego a Ele”.
Dada a sua decisão de prosseguir com a gravidez, os médicos apenas tinham umas
poucas possibilidades e oportunidades de manobra.
Em primeiro lugar propuseram-lhe praticar uma operação bastante delicada na
mandíbula. Tinha inconvenientes, como o ter que alimentar-se durante três
meses por sonda, o que suponha um possível grave problema para o bebé.
Como a coisa não estava nada clara, Cecília não quis arriscar a sua filha.
Contudo, os médicos tentaram um “arranjo” que, lamentavelmente, não
parou o desenvolvimento do tumor.
“Sim, Jesus, te dou tudo”
Finalmente, Agustina nasceu em Julho de 1984 e, pouco depois, Cecília
submeteu-se a uma nova intervenção. Sem dúvida, não puderam fazer
muito, pois o cancro estava mais avançado do que pensavam. Contudo, Cecília
só tinha no seu coração o seu marido e a sua filha, além de Deus, que lhe fazia
descobrir paz e felicidade onde os demais só viam um fracasso.
Numa carta de Cecília ao Arcebispo de Bahía Blanca, monsenhor Mayer
confessa: “Há dias sentia de dar tudo a Jesus mas
com a vontade e o pensamento, não com o
sentimento, não podia desta forma dizer-lhe SIM,
porque me invadia um grande temor que me impedia.
No outro dia na sala de operações estando só
antes de que me a dormecessem pude dizer-lhe
sentindo-o: Sim, Jesus, te dou tudo. Quando
despertei sentia uma grande tranquilidade apesar de que
o que me disseram era bastante desalentador”.
Estes últimos meses da sua vida não foram uma triste e lastimosa descida que
haveria de concluir na morte. Não, pelo contrário, foi uma subida ao Calvário
cheio de sentido e de amor àqueles que a rodeavam e por aqueles ofereceu
quanto tinha: “Senhor quero ser como Vós quereis que seja; ter a
personalidade que desejes, ser ante o que está ao meu lado como Vós quereis
que seja. Ter a beleza que Vós quereis que tenha”.
"Onde me enterrem, que seja alegre"
Assim, em um de Março de 1985, antes de acabar o dia, María Cecília Perrín
passou à casa do Pai. Apenas contava com vinte e oito anos. Os seus restos
mortais descansam na Mariápolis Lía, em O’Higgins, Buenos Aires. A Mariápolis
Lía é um centro de espiritualidade, formação e de encontro com Deus promovido
pelo Movimento dos Focolares.
Foi enterrada ali mesmo por expresso desejo seu, pois manifestou que o lugar
aonde fossem visitá-la teria de ser um lugar alegre e de vida, e não triste e
desolado.
Maria Cecília Perrín de Buide escreveu uma história enquanto estava passando
esses momentos tão difíceis. Esta história representa como a dor é uma dura
experiência, mas por sua vez alegre pois é o caminho que dá vida à sua filha
Agustina; por sua vez é a que lhe abre a porta do céu e lhe oferece o encontro
com Deus, no qual se apoiou e do qual obteve forças para levar uma vida onde a
formosura da alma é maior que a formosura do exterior.
Aberta a causa de canonização
E assim foi, pois a sua fama de santidade, a heroicidade da sua entrega e as
muitas graças que foram escutadas e concedidas fizeram que começasse a
sua causa de beatificação dez anos depois, declarando a Cecília como Serva
de Deus. A sua causa continua por bom caminho.
Mais exemplos como o de Cecília
Cecília não é a única mulher que conhecemos que foi capaz de antepor a vida do
seu filho por nascer antes que a sua. São inumeráveis e a maioria passam
desapercebidos. Contudo alguns chegam aos meios de comunicação.
Talvez uma das mães mais conhecidas seja Gianna Beretta, que foi canonizada
pelo próprio João Paulo II. Gianna em 1962 optou por não abortar e não
tratar-se quimicamente com o fim de evitar a morte da sua quarta filha. O
cancro consumiu-a quando ela tinha 39 anos. Gianna era pediatra e cirurgiã.
Bem sabia ela ao que se expunha.
Uma jornalista espanhola
Em Espanha é especialmente conhecido o caso da
natural de Córdoba Bárbara Castro García,
j o r n a l ista responsável da comunicação da
diocese de Córdoba. O seu caso é muito parecido ao
de Cecília, começando também com uma chaga na
boca. Qualquer intervenção para atacar o cancro
tinha suposto a morte do seu bebé. A realidade foi
que a sua filha nasceu perfeitamente no dia de Todos
os Santos de 2010.
Bárbara Castro
A criatura deu uns momentos inolvidáveis da
ilusão e paz, mas na semana o cancro voltou a chamar à porta. As dores
tornaram-se mais fortes e Bárbara faleceria um ano depois.
E também uma mãe solteira
Dottie e a sua mãe Stacie
A estadunidense Stacie Crimm era solteira. Com 41
anos, depois de tentá-lo numerosas vezes, conseguiu
ficar grávida. Sem dúvida, em pouco tempo
descobriram-lhe um tumor no cérebro e no pescoço
que se estendia rapidamente por toda a cabeça. A
opção era, uma vez mais, o bebé ou ela.
E uma vez mais a mãe optava por oferecer a sua vida pela da sua filha.
Quando o bebé tinha apenas um quilograma de peso tiveram que fazer-lhe
uma cesariana pois Stacie estava prestes a morrer.
Deixou de respirar ainda que os médicos conseguissem reanimá-la. Num momento
de consciência perguntaram-lhe se queria ver a Dottie, sua filha, ela abriu os olhos
e alçou as suas mãos, como se perguntasse “Onde está?”. Trouxeram-na da
incubadora, colocaram-na sobre o seu peito. Mãe e filha olharam-se nos olhos
durante vários minutos. Ela sorriu à sua bebé porque finalmente estava nos
seus braços. Ninguém disse uma só palavra. O amor das lágrimas diziam tudo.
Oração por Cecília Perrín
Quem
receba
graças
por
sua
intercessão
pode
escrever
a:
[email protected] ou Tucumán 64, (8000) Bahía Blanca, Argentina, tel.
(0291) 4556624 (Alejandra Belfiore).
Como em toda a causa de canonização existe uma oração para solicitar a ajuda
da Serva de Deus. Esta é a Oração para devoção privada:
“Senhor Jesus, te damos graças e te bendizemos pelo que nos deste do
Evangelho vivo na serva Cecília Perrín de Biude. Através do seu exemplo
como jovem esposa, mãe e professora, temos aprendido a valorizar a
dignidade do ser humano desde a concepção, a dar a vida por cada próximo,
que é imagem e semelhança de Deus, e a realizar a ideia proposta por Vós:
“Que todos sejam Um”. (Jn 17, 21) Ensinamos a descobrir o teu Amor na
nossa vida, ainda nas circunstâncias mais difíceis nas quais, como Tu na
cruz, nos sentimos abandonados. Suplicamos-te que, por meio de Cecília,
possamos descobrir-te como o Autor da Vida. Que ela nos auxilie nesses
momentos e obremos sempre, por cima de tudo pelo dom da vida!
Concede-nos por intercessão de Cecília, a graça que pedimos. Ámen".
(Pai Nosso, Ave-maria, Glória)
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Cecília Perrín, grávida com cancro, rejeitou o aborto e salvou a sua