XXV Encontro Nac. de Eng. de Produção – Porto Alegre, RS, Brasil, 29 out a 01 de nov de 2005
Modelo de custo de produção em um sistema integrado de
criação e ordenha de leite A
Reinaldo Pacheco da Costa (POLI-USP) [email protected]
Ivanir Schroeder (POLI-USP /UNIVALI) [email protected]
Jocimari Tres Schroeder (UNIVALI) [email protected]
Davi Claudio (POLI-USP) [email protected]
Resumo
O artigo apresenta uma proposta de um modelo econômico conceitual para um sistema
integrado de produção de leite tipo A. O modelo proposto foi aplicado em um estudo de caso
em uma fazenda de pecuária leiteira, situada no estado de São Paulo. O modelo proposto
busca superar as dificuldades de cálculo do custo de produção do leite quando utilizado o
método do custeio por absorção - que trata da mesma maneira investimentos e custos
operacionais que se dão ao longo de várias lactações (vários anos). O modelo permite não só
o cálculo mais acurado do custo de produção do leite, mas também verificar qual o ótimo
econômico para o número de lactações.
Palavras chave: Modelo Econômico, Custeio na Produção Leiteira, Custo do Leite A.
1. Introdução
O objetivo deste artigo é apresentar um modelo econômico de cálculo de custos de produção
de leite em um sistema integrado de produção. O modelo proposto envolve desde a criação de
bezerras e novilhas até a ordenha de vacas matrizes em várias lactações. Para ilustrar o
modelo foi utilizada a sua implantação como um estudo de caso em uma fazenda leiteira no
Estado de São Paulo.
O leite ‘in natura’ pode ser distribuído pasteurizado com a classificação do tipo A, B, C ou
ultra-pasteurizado, na forma de longa vida. O leite tipo A tem qualidade superior devido ao
seu processo, desde a criação da vaca, até a distribuição do leite, passando pela ordenha,
industrialização e distribuição com rigoroso controle de qualidade.
No caso do leite ultra-pasteurizado, este é acondicionado em embalagens longa vida ou UHT,
que pode utilizar tanto leite do tipo A, B ou C. Normalmente o leite UHT é do tipo C, pois as
propriedades básicas do leite serão alteradas devido ao superaquecimento (ultrapasteurização) no processo produtivo.
O Brasil tem uma importante posição na produção mundial de leite de vaca. Segundo a FAO
(2004), o maior produtor mundial de leite são os Estados Unidos, com aproximadamente 15%
da produção mundial. O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo e o maior das
Américas, somente atrás dos Estados Unidos. A produção brasileira de leite cresceu mais que
50% entre 1990 e 2003, passando de 14,5 bilhões de litros para uma produção de 22,3 bilhões
de litros (IBGE, 2003). Neste período a região sudeste foi responsável, em média, por mais de
50% da produção brasileira, com a liderança do estado de Minas Gerais, o maior produtor de
leite no Brasil.
Porém, apesar da expressiva produção de leite, o Brasil tem uma produtividade média baixa
(1.137 litros/vaca/ano), quando comparada a países como Estados Unidos (8.226
litros/vaca/ano), Canadá (7.472 litros/vaca/ano) ou até mesmo com a Argentina (3.565
litros/vaca/ano) e o Uruguai (3.249 litros/vaca/ano), (EMBRAPA, 2004; INDI, 2003). No
entanto, a produtividade brasileira aumentou 75,5% quando comparada ao ano de 1975
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quando era de 648 litros/vaca/ano (INDI, 2003).
Martins (2004), destaca que a oferta de leite do produtor no Brasil, é organizada próxima à
concorrência perfeita (não há barreiras aos entrantes e o produto não tem diferenciação).
Assim, devido à característica de estrutura de mercado os produtores têm lucros reduzidos, o
que os obriga a ampliar a escala de produção e a modernizar-se, reduzindo custos. Além
disso, a melhoria da qualidade do leite pode agregar valor ao produto, melhorando as margens
de lucro do produtor. Neste sentido, destaca-se a produção do leite tipo A. A análise
econômica da produção do leite tipo A – em um sistema integrado de produção, - é o alvo
central deste artigo. Entendendo o sistema integrado como o de criação de bezerras e
novilhas, a manutenção da vaca matriz e a sua ordenha em várias lactações.
Uma vantagem competitiva está na diferenciação dos produtos, para elevar a lucratividade.
No caso do leite, a vantagem competitiva pode ser obtida pela diferenciação na qualidade do
produto. O leite tipo A oferece tal diferenciação. Porém, os custos de produção são
considerados elevados. Logo, é necessário um amplo controle dos custos associados à cadeia
produtiva do leite tipo A. Assim, o delineamento de um modelo econômico pode ser uma
ferramenta valiosa para o empresário que investe na produção do leite tipo A.
2. O problema de custeio da produção de leite em um sistema integrado
O cálculo do custo de produção em um sistema integrado de produção de leite pode ser
considerado complexo, por duas características em especial: em primeiro lugar, o nascimento
de fêmeas irá gerar com o tempo (após sua criação), uma nova vaca matriz. Portanto, o gasto
da criação da novilha, até a obtenção de uma vaca matriz e suas lactações, pode ser entendido
como um investimento inicial. Em segundo lugar, a produção de leite ocorre ao longo de
várias lactações, a partir do nascimento e aproveitamento de várias bezerras, ao longo da vida
útil de uma vaca matriz.
A produção de leite em um sistema integrado abordada por este estudo, pode ser entendida
como um processo temporal que se inicia no nascimento da bezerra, sua criação como
novilha, a inseminação, parto e produção de leite de uma vaca matriz em pelo menos cinco
lactações. Cabe ressaltar que este processo se distribui por não menos do que seis (6) a sete
(7) anos de duração. Portanto, apurar o cálculo do custo de produção de leite pode se tornar
essencial para o controle dos gastos e a análise da rentabilidade do negócio.
O cálculo do custo de produção do leite, na literatura consultada, utiliza normalmente o
método de custeio por absorção (Martins, 2003). Neste método de custeio, e no sistema de
produção de leite, os gastos anuais de produção (criação, manejo e ordenha) são rateados pela
produção anual de leite.
Neste sentido, o artigo de Mendonça et al. (1998), apresenta a análise dos processos de
produção da pecuária leiteira, dos tipos B e C, no município de Lavras (MG). Os autores
analisaram os custos da atividade leiteira pelo método de custeio por absorção. Foram
classificados como custos fixos as benfeitorias, máquinas e equipamentos, animais repostos
ou não pelo próprio rebanho, impostos fixos, custos alternativos do capital investido. Os
custos variáveis atribuídos pelos autores são relativos à mão-de-obra, vacinas, medicamentos,
serviços técnicos, transportes, impostos sobre produto, dentre outros.
O artigo de Nunes et al. (1998), analisou a rentabilidade da pecuária leiteira no estado de
Goiás, como um meio de subsídio para a orientação da política de incentivo à produção de
leite. A amostra do estudo constituiu-se de 54 produtores de leite, distribuídos em 18
municípios das principais bacias leiteiras do estado de Goiás. Os custos de produção (fixos e
variáveis) e despesas (de comercialização, financeiras e administrativas) foram calculados
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separadamente. Entretanto, na apresentação dos resultados, os autores utilizaram o custo total
da atividade para expressar a soma dos custos de produção e das despesas.
E, no estudo desenvolvido por Reis et al. (2001), também se utilizou o custeio por absorção,
com o rateio dos custos indiretos, tendo como critério o índice percentual entre a área
explorada com leite e a área total da propriedade. O estudo concluiu que os itens que mais
afetaram o custo de produção do leite foram o custo de máquinas e equipamentos, no caso dos
custos fixos e os gastos com alimentação e mão-de-obra, no caso dos custos variáveis. Os
autores consideraram ainda que economicamente, a atividade leiteira estava em um processo
de descapitalização, visto que parte do capital fixo aplicado na exploração não foi totalmente
paga.
No entanto, de acordo com Costa et.al. (2004), a utilização do método de custeio por absorção
na atividade de pecuária leiteira, dá origem a uma série de distorções dos custos de produção,
porque não separa dois grandes problemas ou situações temporais:
a) Dentre os gastos anuais podem se confundir investimentos na criação da novilha, com
custos operacionais da vaca matriz (mão-de-obra e ração, medicamentos, entre outros);
b) A produção de leite de uma vaca matriz ocorre ao longo de várias lactações (de vida útil).
A seção 3 e suas subseções, apresentam uma proposta alternativa de um modelo econômico
de produção integrada de leite tipo A.
3. Proposta de um modelo de custo de produção de um sistema integrado do leite A
O modelo de custeio de produção de um sistema integrado de produção de leite A, tratado
neste artigo, pode ser visualizado por meio da Figura 1, a seguir.
Criação -----------1ª. Lactação ---2ª. Lactação---3ª. Lactação----4ª. Lactação...etc...descarte.
Bezerra/novilha—vaca matriz--- vaca matriz--- vaca matriz--- vaca matriz--- vaca matriz--Fonte: elaborada pelos autores
Figura 1 - Modelo de custeio de produção de um sistema integrado de produção de leite
Uma vaca se torna matriz ao parir, iniciando a produção de leite. No caso de parir uma fêmea
dará início ao processo de criação de uma bezerra, que se transformará em uma novilha. Esta
novilha depois de criada e ao ser emprenhada pode dar origem à outras vacas matrizes,
repetindo o processo sucessivamente.A vaca matriz seria utilizada em algumas lactações, já
que há um natural decréscimo de produção leiteira. Portanto, após um certo número de anos,
devido a este decréscimo de produção, a vaca matriz poderia ser vendida – ou para abate ou
para continuar sua produção em situação de menor produtividade.
Observe-se a semelhança de tal esquema com o de uma cultura agrícola semi-perene, como é
o caso, por exemplo, da cana-de-açúcar. Tal problema já foi tratado na literatura especializada
(Hoekstra, 1976), como um problema de engenharia econômica análogo ao problema de
substituição/renovação de um ativo.
No caso da cana-de-açúcar o problema de engenharia econômica seria o ‘número ótimo
econômico de cortes’ para a cultura, ou ‘quando’ fazer a renovação do plantio. Na cana-deaçúcar os investimentos iniciais, como o preparo do terreno e o plantio, são únicos. E, os
tratos do cultivo, como roçamento, aplicação de defensivos, aplicação de adubos, são gastos
ao longo dos vários cortes. Assim, a receita é decrescente pelo decréscimo da produção do
açúcar por hectare colhido. Tem-se, portanto, três (3) categorias econômicas diversas:
investimentos, custos operacionais e receitas.
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Pode-se fazer uma analogia com o ‘número ótimo de lactações’, no processo de criação da
novilha (investimentos), até que a produção da vaca matriz se inicie após o primeiro parto
(chamado de primeira lactação), e daí sucessivamente até o descarte após l lactações. O
investimento inicial na geração de vacas matrizes pode ser amortizado em um certo número
de lactações. A criação da bezerra/novilha equivaleria ao investimento inicial para a obtenção
de uma vaca matriz. Ao longo das várias lactações ocorrem custos operacionais de
manutenção e alimentação da vaca matriz.
Propõe-se, portanto, o seguinte esquema econômico-financeiro para o cálculo dos custos de
produção do leite, diferenciados por três estágios do sistema:
a) Criação de Bezerra/Novilhas – Investimento;
b) Inseminação e maternidade da Vaca Matriz – Custos de manutenção da vaca matriz;
c) Ordenha de Leite - Custo de produção do leite nas diversas lactações.
As próximas seções detalham o esquema econômico-financeiro proposto, diferenciado pelos
três estágios do sistema de pecuária leiteira.
3.1. Investimento na criação de bezerras e novilhas
O valor do investimento na criação (bezerra/novilha) será o Valor Futuro (no início da 1ª
lactação), do Fluxo de Caixa do custo de criação mensal, atualizado por uma taxa de juros
mensal efetiva.
O custo de criação mensal é representado pela Equação 1, a seguir.
Cc m = Cc me +
Cf m xfator.c
b
Equação 1 - Custo de criação mensal
Onde:
Ccm – custo da criação no mês m. (m = 1...M)
M é o mês início da primeira lactação.
Ccme – custo da criação por estágio, no mês m, já deduzido das mortes por diversos motivos. (e =
1...E), onde E = número de estágios da criação.
Cfm – custos fixos no mês m alocados aos animais (bezerra/novilhas) nos estágios de criação.
Fator.c = fator de rateio dos custos fixos para a criação.
b = número de bezerras e novilhas nos estágios
O custo de criação mensal é o custo mensal por estágio, considerando perdas (mortalidades),
adicionado do custo fixo do mês dividido pelo número de bezerras/novilhas em criação.
Os estágios possibilitam a separação dos recursos envolvidos, como mão-de-obra, alimentos
(comprados ou produzidos ao custo de oportunidade), medicamentos dentre outros.
O investimento na criação de bezerras/novilhas, portanto, será:
I 0 = Cc1 x(1 + i ) n + Cc 2 x(1 + i ) n −1 + ......Cc m (1 + i ) 0
Equação 2- Investimento na criação
Onde:
I0 = Investimento inicial
Ccm – custo mensal da criação bezerra/novilha (m = 1 a M)
M= número de meses até o inicio da primeira lactação
i = taxa de juros efetiva mensal (% a.m)
3.2. Custos de manutenção da vaca matriz
O custo de manutenção mensal de uma vaca matriz é formado pelos custos de alimentação,
insumos (Medicamentos e outros), mão-de-obra direta e indireta, e custos fixos mensais
(administração, taxas, dentre outros).
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Cv m = C m + (
Cf m xfator.v
)
v
Equação 3 - Custo anual de manutenção da vaca matriz
Onde: Cvm = Custos de manutenção da vaca matriz, no mês m.
Cm = Custo de manutenção mensal.
Cf m– custos fixos por mês.
Fator.v = fator de rateio dos custos fixos para a vaca matriz
v = número de vacas matrizes
(Fator.v + Fator.c) = 100% do Custo Fixo Mensal
Equação 4 - Fatores de alocação dos custos fixos (criação e vaca matriz)
Onde:
Fator.c = Custo da mão-obra-direta envolvida na criação/ custo da mão-de-obra-direta total
Fator.v = Custo da mão-obra-direta das vacas matrizes/custo da mão-de-obra-direta total
3.3.Custo de Produção de Leite Fazenda FOB
Fazendo analogia com Fleischer (1973, p. 114), o custo de produção do leite pode ser
representado por um “problema de baixa de um ativo com reposição idêntica”, ou seja, se
mantivermos a vaca matriz por duas lactações, o investimento inicial seria dado por Io; o
custo mensal de manutenção da vaca é dado por Cvm, e podemos vendê-la no mercado por um
preço P (l) após a l-ésima lactação (em N meses). A Figura 3 ilustra o fluxo de caixa,
considerando como exemplo 2 ciclos de lactação da vaca matriz.
P.2
0
2
1
Cv m ’s (2)
Io
Figura 2 - Fluxo de caixa vaca matriz (com 2 ciclos de lactação)
O custo de produção no ciclo da l-ésima lactação será o custo uniforme equivalente (por
lactação), do fluxo de caixa representado pela figura anterior, quando consideramos um fluxo
de duas lactações. O modelo de cálculo do custo uniforme equivalente CUE(l), portanto, pode
ser representado, em termos discretos, conforme a fórmula a seguir.
N
CUEl = {I 0 − [ Pl .(1 + i) − N ] + [∑ Cvm .(1 + i) −k ]}.[
k =1
(1 + i) l .i
]
(1 + i) l − 1
Equação 5 – Custo Uniforme Equivalente CUEl (no ciclo de l lactações)
Observe-se que N é dado em acumulado de meses da respectiva lactação. Soma-se ao
investimento inicial (Io), o valor presente do preço de venda de uma vaca de l lactações (Pl), e
também o valor presente do custo acumulado de manutenção da vaca matriz Cvm. Esta soma
representa o valor presente do fluxo de caixa na l-ésima lactação. Esta soma então é
transformada no custo uniforme equivalente (CUEl) para cada lactação l.
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Esta última equação representa a transformação do valor presente, de cada ciclo de lactações,
em custo uniforme equivalente por lactação. O Custo de produção do leite - Cpl (em R$/litro),
na l-ésima lactação, finalmente, é:
C pl =
CUEl
PRODl
Equação 6 - Custo de Produção do leite (em R$/litro)
Onde:
PRODl = produção de leite acumulado na l-ésima lactação.
Na próxima seção será apresentado o estudo de caso realizado em uma fazenda de pecuária
leiteira, com a aplicação do modelo econômico proposto.
4. Estudo de caso
O estudo de caso foi realizado numa fazenda especializada em produção de leite tipo A, no
estado de São Paulo, aqui denominada de Fazenda A. O plantel considerado foi de 390
bezerras/novilhas em criação em vários estágios, e de 497 vacas matrizes em várias lactações.
O número máximo considerado foi de cinco (5) lactações para cada vaca matriz, quando,
então, a vaca é vendida no mercado secundário de vacas leiteiras. A Tabela 1 mostra o
esquema de criação da bezerra/novilha até o início da primeira lactação.
Estágio
Evento
Recursos
3
Pósparto
30
60 90 120
Bezerra
Dias Corridos
360
598
638
Novilha
210
659
720
Vaca Matriz
1ª.
Induz
2ª.
Insemina ao cio insemina
ção
ção
Alimentação
Insumos (Medicamentos e outros)
Veterinário e Mão de obra direta
Custos fixos (administração, taxas, dentre outros)
Fonte: Elaborada pelos autores
Criação
3ª.
insemina
ção
990
1ª
lactação
Tabela 1 – Criação da bezerra/novilha até o início da primeira lactação
Salienta-se que para os dados apresentados a seguir, foram considerados em cada estágio
tempos/períodos médios. A Tabela 2 apresenta o custo do investimento (Io) na criação de
bezerras/novilhas, utilizando-se as Equações 1 e 2.
Mês
1
2
3
4
5
(...)
29
30
31
32
33
IO (R$)
Descartes
7
10
2
1
0
Parcela
1,79%
2,56%
0,51%
0,26%
0,00%
Nr. Animais
1,13
1,11
1,09
1,08
1,08
CCme
46,59
89,20
86,97
75,93
99,40
CCm
79,95
122,57
120,34
109,30
132,77
VF (m)
108,16
164,25
159,75
143,73
172,96
3
0
1
0
0
0,77%
0,00%
0,26%
0,00%
0,00%
1,01
1,00
1,00
1,00
1,00
54,91
54,49
54,49
54,35
54,35
88,28
87,86
87,86
87,72
87,72
91,67
90,38
89,53
88,55
87,72
3.936,05
Fonte: Elaborada pelos autores
Tabela 2 – Investimento na criação de bezerras/novilhas
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A população considerada na Tabela 2 é de 390 animais, incluindo perdas mensais. O custo de
manutenção da vaca matriz (Cvl), detalhado na Tabela 3, é obtido pela aplicação das
Equações 3 e 5.
Período (meses/lactação)
1
Lactação
9,61
Vaca seca
2,08
Maternidade
1,00
Total (meses)
12,69
1.893
Cvm (R$) – VP acumulado
Fonte: Elaborada pelos autores
2
9,41
2,90
1,00
13,31
1.899
3
7,30
5,89
1,00
14,19
1.683
4
6,47
5,76
1,00
13,23
1.535
5
7,55
1,89
1,00
10,43
1.529
Tabela 3 – Custo de manutenção da vaca matriz
Logo, a Tabela 4 apresenta o custo de produção de leite que pode ser obtido pela Equação 6.
Período (meses/lactação)
Número de meses da lactação
(1) (Io)-Investimento inicial (R$)
(2) (Pm)- Preço de venda (R$)
(3) (Pm)-Valor presente (R$)
(4) (CUEl) de (1)–(3) (R$/lactação)
(5) (CVm)-Custo manutenção da vaca no ciclo (R$/lactação)
(6) (CVm/acum)-Custo acumulado do ciclo de (5) (R$/ciclo)
(7) (CUEl do ciclo)- (4)+(6) (R$/ciclo)
(8) (PRODl) -Produção de leite da lactação (litros/lactação)
(9) (PRODl) Acumulado (litros/ciclo)
(10) (Cpl) Custo de produção litro = (7)/ (9) (R$/litro/ciclo)
i = 0,95% a.m.
Fonte: Elaborada pelos autores
1
12,69
3.936
2.200
1.952
2.005
1.893
1.893
3.898
8.121
8.121
0,48
2
13,31
3.936
1.800
1.408
2.742
1.899
3.792
6.534
7.790
15.911
0,41
3
14,19
3.936
800
547
4.235
1.683
5.475
9.710
7.562
23.473
0,41
4
13,23
3.936
800
483
4.563
1.535
7.009
11.572
7.393
30.866
0,37
5
10,43
3.936
200
109
5.614
1.529
8.539
14.153
7.722
38.588
0,37
Tabela 4 – Custo de produção do leite
5. Considerações finais
O modelo econômico de uma empresa apresenta a situação atual de seu negócio. Logo, um
modelo econômico possibilita também a análise de alternativas à situação atual da empresa.
No caso da produção de leite tipo A, o aumento da lucratividade pode ocorrer pela
diferenciação da qualidade do produto. Elevar a qualidade do leite exige um rígido controle
no processo produtivo, desde a criação da vaca, passando pela ordenha, industrialização, até a
distribuição do leite. Neste sentido, o controle dos custos, com a utilização de um adequado
modelo econômico, torna-se essencial.
O modelo econômico proposto neste artigo diferencia-se dos normalmente utilizados, por
considerar as etapas do processo produtivo em três fases distintas: criação da bezerra/novilhas
(como investimento inicial); custos de manutenção da vaca matriz; e o custo de produção do
leite nas diversas lactações. Assim, evita-se a falácia de confundir os investimentos na criação
da novilha, com os custos operacionais da vaca matriz e os custos das diversas lactações.
Considerar de forma conjunta os custos de tais etapas poderá levar a decisões econômicas
equivocadas, que ao longo do tempo colocam em risco a lucratividade e a manutenção do
negócio.
Resultado a ser destacado é que o modelo permite mostrar a redução do custo de produção
unitário do leite A ao longo das lactações. Isto aponta, se for considerado também o lado da
receita, qual o número ótimo econômico de lactações; o que mostraria a margem de lucro
unitária ao longo das lactações, demonstrando, por conseguinte, o número ótimo econômico
de lactações, auxiliando a tomada de decisão sobre a renovação econômica da vaca matriz.
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Sul de Minas Gerais. Organizações Rurais e Agroindustriais, Lavras, Vol. 3, n. 2. jul./dez.
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