# 31 – novembro 2013
Boca no trombone
A proclamação da República
A
o proclamar a República, no dia 15 de
novembro de 1889, o marechal
Deodoro da Fonseca (foto), de 62 anos,
estava com um ataque de dispneia. Foi tirado
da cama no meio da noite, por amigos, para
comandar o cerco ao Ministério. Foi sem
espada, porque seu ventre estava muito
dolorido. Montou o cavalo baio número 6, que
lhe foi emprestado pelo alferes Barbosa
Junior. Como homenagem, o animal não seria
mais montado até sua morte, em 1906.
Deodoro
havia
decidido
apoiar
os
republicanos 4 dias antes. “Eu queria
acompanhar o caixão do imperador, que está
idoso e a quem respeito muito. Mas o velho já
não regula bem. Portanto, já que não há
outro remédio, leve a breca a Monarquia.
Nada mais temos a esperar dela. Que venha,
pois, a República”, disse.
Quando passou pelo portão do Ministério da
Guerra, no Campo de Santana, Deodoro
acenou com o quepe e ordenou às tropas
formadas: “Apresentar armas. Toquem o
hino”. As tropas se perfilaram e ouviram-se
os acordes do Hino Nacional. Estava
proclamada a República. Não houve
derramamento de sangue. O único que se
feriu foi o Ministro da Marinha, José da Costa
Azevedo, que reagiu a voz de prisão.
D. Pedro II ficou sabendo da movimentação
de tropas no Rio de Janeiro quando estava
numa casa de banhos em Petrópolis, a
poucas quadras do Palácio. Mesmo depois de
proclamada a República, ninguém se dispôs
a levar-lhe o telegrama com a notícia. No
meio da noite, o major Sólon Ribeiro foi ao
encontro do imperador, que precisou ser
acordado. Na verdade, com medo de
manifestações a favor da monarquia, os
líderes do movimento pediam que D. Pedro II
e sua família partissem naquela mesma
madrugada. Dizem os relatos que a
imperatriz Teresa Cristina chorou, que Isabel
ficou muda e que o imperador apenas soltou
um desabafo: “Estão todos loucos!”.
Antes de viajar, no dia 17 de novembro, Pedro
II escreveu uma mensagem para o povo
brasileiro: “Cedendo ao império das
circunstâncias, resolvo partir com toda a
minha família para a Europa amanhã,
deixando esta pátria de nós estremecida, à
qual me esforcei por dar constantes
testemunhos de entranhado amor e
dedicação durante quase meio século...
Conservarei do Brasil a mais saudosa
lembrança, fazendo votos por sua grandeza e
prosperidade”.
No momento de embarcar, o imperador
recebeu um convite de seu sobrinho, D.
Carlos, rei de Portugal, o qual punha à
disposição dele um dos seus palácios em
Lisboa. Pedro agradeceu, mas não aceitou a
oferta. No dia 5 de dezembro de 1889, o
navio “Alagoas” chegou a Lisboa. A viagem de
D. Pedro II e sua família durou 18 dias.
Apesar de ter sido recebido com honras ele
preferiu se hospedar com a imperatriz Teresa
Cristina num hotel na cidade do Porto. Depois
de 23 dias, Teresa Cristina faleceu no quarto
do hotel. Pedro II morreu em Paris, no 5 de
dezembro de 1891, deitado num travesseiro
que ele enchera com terra brasileira.
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# 31 – novembro 2013
Mão na roda
Mônica assopra 50 velinhas
19 anos, mudou-se para São Paulo e, durante
cinco anos, trabalhou no Jornal Folha da
Manhã (atual Folha de São Paulo) escrevendo
reportagens policiais. Em 1959 criou seu
primeiro personagem, o cãozinho Bidu. A
partir daí vieram Cebolinha, Cascão, Mônica,
e tantos outros. Em 1970 lançou a revista
Mônica, com tiragem de 200 mil exemplares.
Depois de passar pela Editora Abril e Editora
Globo, assinou contrato com a multinacional
italiana Panini. O autor já alcançou o
extraordinário número de um bilhão de
revistas publicadas e suas criações chegam a
cerca de 30 países.
Q
uem vê aquela menina de dentes
grandes, vestido vermelho e corpo
rechonchudo mal pode acreditar que
ela esteja completando 50 anos. A verdade é
que Mônica continua em ótima forma, e seu
criador, Mauricio de Sousa, não perde a
oportunidade de comemorar.
O ano de 2013 é marcado por diversos
eventos e lançamentos relacionados à
verdadeira “dona da lua”, como Cebolinha
diz. Foi lançada uma grande exposição sobre
a personagem, entrou no ar o novo site da
Turma da Mônica, todo reformulado e com
conteúdos inéditos, e estrearam o espetáculo
“Mônica Mundi – Uma Volta ao Mundo com a
Turma da Mônica” e a remontagem de
“Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e
Julieta”, primeira peça da turma, apresentada
em 1978. O canal Cartoon Network também
homenageou a baixinha, ressurgiu a primeira
boneca da personagem, lançada na década
de 1960, chegou às lojas uma pelúcia
amarela do Sansão, cor original da primeira
versão do parceiro da dentuça, e até fez-se a
“Mônica Parade”, uma intervenção urbana
que espalhou por São Paulo 50 esculturas de
1,60 m. da altura feitas por 50 artistas sobre
a aniversariante.
Mauricio de Sousa iniciou sua carreira como
ilustrador na região de Mogi das Cruzes,
próximo de Santa Isabel, onde nasceu. Aos
Mônica apareceu dando coelhadas pela
primeira vez em uma tirinha da “Ilustrada”,
na Folha de São Paulo de 3 de março de
1963. Mauricio baseou-se em sua filha
homônima para criá-la, fato que se repetiu
com
outras
personagens
surgidas
posteriormente. Seu papel original era como
coadjuvante para Cebolinha, o protagonista
original entre os primeiros personagens de
Mauricio. Porém, seu público, como o próprio
relata, "passou a coroa" para ela. Mauricio
atribui parte do sucesso de Mônica ao fato de
ela ser a primeira personagem feminina com
papel de destaque dentre suas criações, que
eram em maioria meninos. Mônica ganhou
tanto espaço que acabou tendo sua própria
revista em 1970, a primeira publicação
infantil colorida em terras brasileiras.
Enquanto sua filha brincava com as irmãs,
Mauricio aproveitava para estudar o
comportamento dela. Quando sua irmã mais
velha, Mariângela, que por sua vez inspirou
Maria Cebolinha, lhe cortou os cabelos,
deixou diversos caminhos-de-rato em sua
cabeça, usados pelo pai para conceber o
cabelo em gomos da personagem, que
lembram bananas. A garotinha esperta era
gorducha, dentuça e de baixa estatura,
características
que
também
foram
transferidas para sua criação de forma
caricata e exagerada, assim como sua
personalidade forte e briguenta. Mauricio
# 31 – novembro 2013
ainda observou que a filha utilizava roupas de
cor vermelha com frequência e tinha muito
apreço por um coelho de pelúcia. Ele fez com
que sua personagem também apresentasse
tais traços.
Mônica é uma menina de sete anos que vive
no Bairro do Limoeiro, local fictício que serve
de cenário para a maioria das histórias que
protagoniza. Ela vive com sua mãe Luísa
Fernandes, uma dona de casa, e seu pai
Sousa, que trabalha em uma companhia de
negócios e tem sua aparência baseada no
Mauricio de Sousa real. Mônica tem um
cachorro de estimação chamado Monicão,
que divide diversas características físicas e
comportamentais com sua dona. Monicão foi
um presente de seus amigos Cebolinha e
Cascão, numa tentativa frustrada de zombar
da menina.
De gênio forte, Mônica não tem paciência
para os apelidos que recebe das outras
crianças por causa de sua aparência física e
costuma responder a tais ações com sua
extrema força bruta, muito superior à de uma
menina de sua idade e até mesmo à de um
ser humano comum. Mônica aplica tais
"correções" em seus colegas com suas
próprias mãos ou através de Sansão, um
coelho azul de pelúcia que é muito querido
por Mônica. Sansão é frequentemente
roubado pelos meninos do bairro, que dão
nós em suas orelhas para irritar a "dona da
rua", título que ostenta e que é almejado por
Cebolinha.
Apesar
das
provocações
constantes que enfrenta, ela tem laços de
amizade com a maioria das crianças do
bairro, em especial com Magali, uma das
poucas que não sofrem com o temperamento
de Mônica. Normalmente geniosa, por vezes
demonstra um comportamento mais dócil e
feminino, e frequentemente se apaixona
pelos meninos mais bonitos do bairro.
Com o passar dos anos, os traços de
Mauricio evoluíram, mas Mônica manteve os
dentes incisivos protuberantes e sempre usa
vestidos de cor vermelha. Nas histórias, os
personagens constantemente a ofendem
com insultos relacionados à sua baixa
estatura e ao seu excesso de peso, apesar de
não apresentar diferenças visíveis com os
outros personagens no estilo atual de
desenho das publicações. Ela se mostra mais
controlada e romântica quando adolescente
em Turma da Mônica Jovem, mas em alguns
momentos ainda deixa seu lado violento
aflorar. Ela também nutre uma paixão
correspondida por Cebola, com quem tanto
brigava na infância.
Mônica é vista como uma das personagens
mais importantes na história dos quadrinhos
brasileiros em diversas mídias. Hoje, além
dos quadrinhos, em que aparece como líder
imbatível e dona absoluta da rua, Mônica é
estrela de cinema, teatro, tem vários
produtos que levam o seu nome, faz
campanhas educativas e comerciais de
televisão, além de ser embaixadora do Unicef
(a única personagem de quadrinhos do
mundo a ter essa honra), embaixadora do
Turismo no Brasil e embaixadora da Cultura.
Estrela mais versátil, impossível.
# 31 – novembro 2013
Ao pé da letra
Ai, que saudades da Amélia
“
Ai Amélia! Aquilo sim é que era mulher!
Lavava, engomava, cozinhava, apanhava
e não reclamava.” Foi de tanto ouvir um
amigo exaltar a tal de Amélia que o ator e
compositor Mário Lago (1911-2002) resolveu
transformá-la em samba. O amigo era o
baterista e irmão da cantora Aracy de
Almeida, o Almeidinha. Bastava que alguém
viesse se queixar de alguma desventura
amorosa que ele logo lembrava a Amélia. Ela
não era nenhuma ex-mulher ou namorada do
baterista, mas sim uma lavadeira, mãe de
nove filhos e moradora do morro do
Encantado, na zona norte do Rio de Janeiro,
que trabalhava na casa de Aracy e cuja
dedicação, altruísmo e subserviência
encantavam o irmão da cantora.
Com a letra de “Ai, que saudades da Amélia”
em mãos, Mário pediu a outro amigo, o
compositor Ataulfo Alves (1909- 1969), que
fizesse a melodia. Ataulfo não só cumpriu a
tarefa como, para mau humor de Mário, deu
uma mexida na letra, tornando-a mais
sintética. O resultado era altamente original:
o samba se constrói por meio da lamentação
do eu lírico masculino, que exalta as
qualidades da mulher perdida –Amélia– em
contraposição às da mulher atual. No início,
contudo, ninguém queria gravar o samba.
Orlando Silva recusou a canção, e o sambista
Moreira da Silva deu o que parecia ser um
veredicto: “Amélia não tem chances para o
Carnaval! É bonita, mas parece uma marcha
fúnebre!” Sem opção, o próprio Ataulfo
assumiu o microfone e gravou a música em
1942, com a participação de Jacob do
Bandolim e uma banda improvisada que
levou o nome de Academia do Samba. Para
promover a música, Mário e Ataulfo foram às
rádios proclamar Amélia como “símbolo da
mulher brasileira”. A promoção funcionou. Do
samba desconhecido, “Amélia” virou uma das
favoritas no concurso de melhor canção do
Carnaval de 1942. Cantado por Ataulfo e As
Pastoras, o samba dividiu o primeiro lugar
com “Praça Onze”, de Herivelto Martins e
Grande Otelo.
Simples, com linguagem coloquial e estrutura
de poesia popular, “Amélia” conseguiu –
proeza de poucas músicas– se integrar à
língua portuguesa. No Dicionário Aurélio, o
verbete “amélia” designa “mulher que aceita
toda sorte de privações e/ou vexames sem
reclamar, por amor a seu homem”.
Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer comprar
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
Quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Discos onde ouvir
Jacob do Bandolim – Revive sambas para você
cantar (1963)
Mário Lago – Retrato (1978)
Ataulfo Alves – Raízes do Samba (2000)
Fundo de Quintal – Samba de todos os tempos
(2008)
# 31 – novembro 2013
O mundo é uma bola
Cruzeiro é tricampeão brasileiro
C
om quatro rodadas de antecedência, a
torcida do Cruzeiro soltou o grito de
tricampeão. Os outros dois títulos
brasileiros foram conquistados em 1966,
quando a equipe de Tostão e Dirceu Lopes
derrotou o Santos de Pelé na decisão com
uma goleada por 6 a 2 no primeiro jogo, no
Mineirão, e 3 a 2, no Pacaembu. Em 2003, o
Cruzeiro conquistou o primeiro Brasileiro
disputado em pontos corridos.
Este ano, a equipe dirigida pelo técnico
Marcelo Oliveira se sobressaiu desde o início
da competição. Líder já na primeira rodada,
graças à goleada por 5 a 0 sobre o Coritiba
na estreia, o Cruzeiro nunca esteve abaixo do
sétimo lugar, voltou à primeira colocação na
nona rodada, se alternou na ponta com o
Botafogo por algumas partidas, mas depois
de voltar à liderança na 16ª rodada, não saiu
mais, aumentando progressivamente a
vantagem sobre os adversários.
O Cruzeiro Esporte Clube nasceu através do
esforço de desportistas da comunidade
italiana em Belo Horizonte, com o nome de
Societá Sportiva Palestra Itália, em 2 de
janeiro de 1921. Dos anos iniciais, datam os
primeiros ídolos e conquistas do Palestra,
como o tricampeonato estadual de 1928,
1929 e 1930, com uma equipe que contava
com os lendários Ninão, Nininho, Bengala e
Piorra.
Em 1942, com a entrada do Brasil na 2ª
Guerra Mundial, um decreto de lei do governo
federal proibiu o uso de termos que remetem
à Itália em entidades, instituições e
estabelecimentos no Brasil. Com isso, o
Clube precisou ser renomeado e o nome
escolhido foi Cruzeiro Esporte Clube, em
homenagem ao símbolo maior da pátria
brasileira. Assim como o nome, o uniforme
também sofreu mudanças. Antes verde e
vermelho, em homenagem à bandeira
italiana, o Clube adotou o azul e branco,
inspirado pela seleção da Itália.
# 31 – novembro 2013
Nas décadas seguintes, o que se viu foi o
crescimento de um gigante, especialmente
após a inauguração do Estádio Magalhães
Pinto, o Mineirão, onde o Cruzeiro conquistou
os principais títulos da história do futebol de
Minas Gerais. Com craques como Tostão,
Piazza, Dirceu Lopes, Raul, Zé Carlos,
Palhinha, Joãozinho, Nelinho, o fenômeno
Ronaldo, Sorín, Alex, Fábio e tantos outros, o
time passou a ser um dos clubes brasileiros
com
maior
número
de
conquistas
internacionais. São dois títulos da Copa
Libertadores (1976 e 1997), dois da
Supercopa (1991 e 1992), um da Recopa
(1999), um da Copa Ouro (1995) e um da
Copa Master (1995). No âmbito nacional, o
time azul ganhou três vezes o Campeonato
Brasileiro (1966, 2003 e 2013) e, em quatro
outras ocasiões, conquistou a Copa do Brasil
(1993, 1996, 2000 e 2003).
O Cruzeiro Esporte Clube conta com um
amplo e moderno centro de treinamentos
para cuidar dos craques do futuro: a Toca da
Raposa I. Construída em um terreno de 60
mil metros quadrados, a Toca I se tornou o
primeiro centro de treinamento projetado
para concentração de uma equipe de futebol
no Brasil, em 1973, com tanta qualidade, que
foi utilizada para a preparação da Seleção
Brasileira para as Copas do Mundo de 1982
e 1986.
Além dos títulos, o Cruzeiro é reconhecido
mundialmente pela sua excelente estrutura e
como um dos principais reveladores de
talentos para o futebol, como aconteceu em
relação a Ronaldo, Maicon, Gomes, Luisão,
Wendell, Jussiê, Beletti e muitos outros.
Primeira mascote do Brasil a apoiar um clube
dentro e fora dos campos, o Raposão (foto)
se tornou o verdadeiro xodó da China Azul.
Com a fama de “pata-quente”, já que fez sua
estreia em 2003, ano que o Cruzeiro
conquistou a Tríplice Coroa, o mascote
acompanha o time em todas as partidas em
Minas Gerais.
Inaugurada em 2003, a Sede Administrativa
Presidente Zezé Perrella está localizada em
um grande, moderno e funcional prédio de
4,3 mil metros quadrados e oito andares. O
Parque Esportivo do Barro Preto foi
fundamental para o crescimento do Cruzeiro
desde sua criação, na década de 1950,
oferecendo aos sócios uma excelente
oportunidade de diversão, além de também
ser sede da escola de esportes para crianças
e abrigar o centro de treinamentos da equipe
profissional Sada Cruzeiro Vôlei.
A Sede Campestre do Cruzeiro é um completo
complexo de diversão para atender o
associado cruzeirense, oferecendo piscinas,
quadras de futebol, basquete, vôlei, peteca,
ginásio esportivo, salão de jogos, cooper,
saunas, quiosques com churrasqueiras, etc.,
além de abrigar importantes festas
produzidas pelo Clube, como a tradicional
“Una Notte in Itallia” e o “Churrascão do
Cruzeiro”, um dos principais eventos de
música e gastronomia de Minas Gerais.
A Toca da Raposa II é o centro de
treinamentos da equipe profissional do
Cruzeiro. Considerada como uma das mais
modernas estruturas de futebol de todo o
mundo, a Toca II foi inaugurada em março de
2002 e conta com visitas diárias de
cruzeirenses de todas as partes do país e
demais apaixonados por futebol no mundo.
Em setembro de 2009, a Federação
Internacional de História e Estatística do
Futebol (IFFHS), entidade alemã reconhecida
pela FIFA, apontou o Cruzeiro como o Melhor
Clube Brasileiro do Século XX. O instituto
levou em consideração a performance dos
clubes do mundo em competições
organizadas pelas federações continentais e
só confirmou o que já sabiam todos aqueles
que acompanham de perto a bela trajetória
do time cinco estrelas.
# 31 – novembro 2013
De Oiapoque ao Chuí
Santa Catarina lança novo mapa turístico
U
m novo mapa do turismo está sendo
desenhado por todos os estados
brasileiros e deve ser publicado até o
fim do ano. Ele vai apontar não apenas
destinos consagrados, como novos destinos
que devem despontar nos próximos anos.
Os números preliminares do novo mapa
brasileiro
mostram
3.357
cidades
cadastradas e 302 regiões turísticas. O
processo de reorganização dos municípios
segue as diretrizes do Programa Nacional de
Regionalização do Turismo e priorizam a
gestão descentralizada, os investimentos em
qualificação profissional e infraestrutura.
“O mapa da regionalização orienta a atuação
de políticas e investimentos do Ministério de
Turismo (MTur) pelo país”, diz Vinicius
Lummertz, secretário nacional de Políticas de
Turismo. Lummertz lembra ainda que em
Santa Catarina o turismo responde por 12,5%
do PIB, um dos maiores entre os estados
brasileiros.
Assim que o novo mapa for concluído, o MTur
classificará o nível de desenvolvimento (que
varia de 1 a 4) de cada uma das regiões
turísticas e definirá as necessidades de
investimento de cada localidade. Alguns
estados têm reduzido a quantidade de
municípios para poder trabalhar melhor as
suas regiões.
Quando o novo mapa das regiões turísticas
do Brasil estiver pronto, Santa Catarina terá
132 municípios agrupados em 10 regiões
turísticas. Entre elas, a região do Caminhos
da Fronteira, formada por cidades que fazem
fronteira com a Argentina, desmembramento
da região Grande Oeste.
No mapa anterior de Santa Catarina,
publicado há quatro anos, os 293 municípios
catarinenses estavam distribuídos em nove
regiões. Na nova região, Caminhos da
Fronteira estão incluídos os municípios de
Anchieta; Descanso, Dionísio Cerqueira;
Guaraciaba; Itapiranga; Palma Sala; São João
do Oeste; São José do Cedro e São Miguel do
Oeste. Já o Grande Oeste, onde estavam
incluídos 75 cidades, a prioridade agora é
para cinco municípios, com: Águas de
Chapecó; Chapecó; Palmitos; Quilombo e São
Carlos.
O secretário de Turismo, Cultura e Esporte de
Santa Catarina, Valdir Walendowsky, explica
que a décima região criada “Caminhos da
Fronteira” foi uma solicitação recomendada
pelos municípios do Oeste, em função da
geografia e distância, e que a alteração foi
referendada pelo Conselho Estadual de
Turismo.
As 10 regiões turísticas de Santa Catarina
são agora: Caminho dos Cânions, Caminho
dos Príncipes; Caminhos da Fronteira, Costa
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Verde & Mar; Encantos do Sul; Grande
Florianópolis;
Grande
Oeste;
Serra
Catarinense; Vale do Contestado e Vale
Europeu.
Além
das
regiões
catarinenses
já
consagradas pelo turismo, como as praias do
litoral, o estado apostas em roteiros
diferenciados, como por exemplo, o Caminho
dos Cânions, no extremo Sul de Santa
Catarina, onde a natureza presenteia os
turistas com uma paisagem magnífica dos
cânions do Parque Nacional de Aparados da
Serra, bem próximo à divisa com o Rio
Grande do Sul. No roteiro dos cânions estão
os municípios de Araranguá, Balneário Arroio
do Silva, Balneário Gaivotas, Jacinto
Machado, Maracajá, Passo de Torres, Praia
Grande, Sombrio e Timbé do Sul.
As tradições cultivadas pelos descendentes
dos
imigrantes
europeus
são
uma
característica marcante do Caminho dos
Príncipes. Maior polo industrial de Santa
Catarina, a região harmoniza progresso
econômico com desenvolvimento humano e
conservação da natureza e do patrimônio
histórico-cultural. A Serra do Mar e seu
entorno –com Mata Atlântica, córregos e
cachoeiras–, a floresta de araucárias no
Planalto Norte e as charmosas paisagens
rurais encantam os visitantes. Os municípios
incluídos neste roteiro são: Araquari;
Balneário Barra do Sul; Campo Alegre;
Corupá; Garuva; Guaramirim; Itapoá; Jaraguá
do Sul; Joinville; Massaranduba; Rio
Negrinho; São Bento do Sul; São Francisco do
Sul e Schröeder.
Já a região da Costa Verde e Mar mostra um
cenário bastante badalado do litoral
catarinense, com praias de areais brancas,
águas transparentes emolduradas por morros
verdes e enseadas de águas calmas. Na
região estão os municípios de Balneário
Camboriú; Piçarras; Barra Velha; Bombinhas;
Camboriú; Ilhota; Itajaí; Itapema; Luis Alves;
Navegantes; Penha; Porto Belo e Tijucas.
Nos Encantos do Sul, cidades históricas e
vilas de pescadores dividem a paisagem de
belas praias, lagoas, baías e enseadas
protegidas, onde as baleias-francas buscam
refúgio. Em direção ao interior, chega-se a
cidades fundadas por imigrantes italianos e
alemães. A região reúne os municípios de:
Balneário Rincão, Capivari de Baixo,
Criciúma, Garopava, Gravatal, Imbituba,
Jaguaruna e Laguna, entre outros.
A qualidade de vida é a principal
característica da região da Grande
Florianópolis, que alia o desenvolvimento
urbano à preservação do meio ambiente. São
13 cidades –Florianópolis; São José, Palhoça,
Biguaçu, Governador Celso Ramos, Santo
Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Rancho
Queimado, São Pedro de Alcântara, Angelina,
Anitápolis, São Bonifácio e Antônio Carlos–
que têm em comum a natureza exuberante.
Na Serra Catarinense são registradas as
temperaturas mais baixas do país durante o
inverno. A cidade de São Joaquim, por
exemplo, considerada “a mais fria do Brasil”
é uma das promessas turísticas de inverno,
recebendo turistas curiosos por ver as
precipitações de neve que ocorrem. No
roteiro da serra se encontra ainda cidades
como Urubici, Bom Jardim da Serra, Bocaina
do Sul, Bom Retiro, Painel, Rio Rufino, São
José do Cerrito e Urupema.
No Vale do Contestado estão englobadas 25
cidades com destaque para as cidades
Caçador; Barra Velha, Porto União; Mafra;
Treze Tílias; Videira; Curitibanos; Concórdia; e
Fraiburgo, entre outras.
Por último, no Vale Europeu estão algumas
das cidades colonizadas por imigrantes,
principalmente por alemães e italianos. Os
descendentes preservam os costumes dos
antepassados na culinária, na arquitetura, no
folclore, nas danças e nas festas. A natureza
privilegiada da região propicia inúmeras
alternativas de ecoturismo e turismo de
aventura. O Vale Europeu reúne as cidades
de Ascurra; Benedito Novo; Blumenau;
Botuverá; Brusque; Doutor Pedrinho; Gaspar;
Ibirama; Indaial; Lontras; Nova Trento;
Pomerode; Rio do Sul; Rio dos Cedros;
Rodeio; Timbó e Victor Meirelles.
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