DESINFECÇÃO DE MOLDES
DE HIDROCOLÓIDE IRREVERSÍVEL E MODELOS
DE GESSO COM HIPOCLORITO DE SÓDIO:
EFICIÊNCIA E ESTABILIDADE DIMENSIONAL
Edson Moreira dos SANTOS*
Antonio Olavo Cardoso JORGE**
■
RESUMO: Foi avaliada, in vitro, a efetividade na desinfecção por imersão em
hipoclorito de sódio (1%) de moldes de hidrocolóide irreversível (tipo I, presa
rápida) e de modelos de gesso pedra (tipo III). Moldes e modelos foram obtidos a partir de um modelo-padrão. A contaminação foi realizada nos moldes
com 0,1 mL de culturas de Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Bacillus
subtilis e Candida albicans e a desinfecção foi realizada nos moldes, modelos
e em ambos, durante 10 e 30 minutos. Após a desinfecção, os modelos obtidos tiveram sua superfície impressa por 30 segundos na superfície dos meios
de cultura de acordo com o microrganismo testado e, após incubação, observou-se o crescimento calculando-se a área de crescimento. Os modelos foram
avaliados visualmente no projetor de perfil e através de rugosímetro para verificação da rugosidade superficial. A desinfecção foi inefetiva para o grupo
modelo desinfetado por 10 minutos, onde houve crescimento de microrganismos. Na análise dimensional os piores resultados foram obtidos no grupo molde/modelo desinfetados por 30 minutos e os melhores no grupo molde desinfetado
por 10 minutos. Concluiu-se com este estudo que a desinfecção de moldes por
imersão em solução de hipoclorito de sódio a 1% foi um procedimento eficiente
em relação aos microrganismos testados.
■
PALAVRAS-CHAVE: Alginatos; modelos de gesso; desinfecção; hipoclorito
de sódio.
* Departamento de Odontologia – UNITAU – 12020-270 – Taubaté – SP.
** Departamento de Biociências e Diagnóstico Bucal – Faculdade de Odontologia – UNESP –
12245-000 – São José dos Campos – SP.
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107
Introdução
O aumento do conhecimento das doenças infecciosas e sua transmissão em odontologia provocou impacto crescente sobre as atitudes
relativas ao controle de infecção nos consultórios e laboratórios de prótese. As implicações legais do controle de infecção no grupo odontológico requerem que seja dada atenção ao potencial dos meios de transmissão freqüentemente ignorados no passado.10
A interação física direta entre cirurgião-dentista e laboratório de prótese é intrínseca na prática da odontologia e tem apresentado diversas
dificuldades do ponto de vista de controle de infecção cruzada.11 O laboratório dentário tem sido identificado como um importante elo no controle
de infecções dentárias. Moldes de hidrocolóide irreversível trazidos ao
laboratório são conhecidos como “transportadores de microrganismos” e
podem acarretar infecção cruzada entre pacientes.
Tullner et al.24 relataram que, nos Estados Unidos, aproximadamente 90% das pessoas infectadas por HIV e 80% dos infectados por HBV
eram portadores ainda não detectados. Além do sangue infectado, a
transmissão da hepatite B através de saliva também já está documentada. A contaminação de moldes dentários com variadas quantidades de
sangue e saliva é uma ocorrência de rotina no tratamento odontológico
e, por isso, esses moldes devem ser considerados como potenciais
transmissores dessas e de outras doenças a todo o pessoal que rotineiramente os manipula.
Costumeiramente é feito o enxágüe dos moldes em água corrente
para remover sangue e saliva, mas nenhum método de rotina para esterilização ou desinfecção de moldes dentários tem sido realizado rotineiramente pelos profissionais de odontologia. A desinfecção de moldes
passou a se tornar um tópico crítico na consciência profissional, pelo
fato de representar importante passo na contaminação microbiana durante os procedimentos odontológicos.
A American Dental Association (ADA)2-6 e a Secretaria de Saúde do
Estado de São Paulo,20 além de outras autoridades, têm recomendado a
desinfecção de moldes dentários antes de enviá-los aos laboratórios.
Geralmente é aceito que, uma vez feito o molde, os microrganismos
bucais são retidos sobre sua superfície persistindo pelo tempo de manuseio até a obtenção do modelo.
Como o hidrocolóide irreversível é um complexo de carboidratos e
tem a propriedade de se embeber em água, é de bom senso assumir que
microrganismos patogênicos estariam menos sujeitos à ação dos germi-
108
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cidas, uma vez que penetram juntamente com a água na intimidade
desse material de moldagem.14
Contudo, muitos clínicos não estão certos dos passos corretos de
desinfecção e de que os laboratórios estejam desinfetando corretamente
os moldes e modelos retornados ao consultório. A solução óbvia é usar
um método para desinfetar o molde ou o modelo de gesso sem contudo
trazer alterações adversas sobre as propriedades físicas desejadas no
modelo, além de ser ao mesmo tempo barato, confiável e de tempo de
desinfecção conveniente.
Vários estudos têm mostrado que o hipoclorito de sódio é um desinfetante eficaz na redução de microrganismos sobre moldes de hidrocolóide irreversível.8, 10, 12, 14, 21, 23, 24 A recomendação da ADA para moldes
de alginato, quando se usa desinfecção por imersão em solução de hipoclorito de sódio, é de 10 minutos de imersão numa solução de concentração de 0,525%. A Portaria do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (1995) recomenda a fricção ou
imersão de moldes de alginato em glutaraldeído a 2% ou solução de
hipoclorito de sódio a 1% por 10 minutos, enquanto os modelos de gesso
deveriam ser friccionados com o auxílio de solução de hipoclorito de sódio
a 1% durante 10 minutos.
É necessário que a descontaminação de moldes dentários seja adotada como procedimento na prática odontológica para prevenir infecção
cruzada. Porém a eficácia do desinfetante depende de suficiente tempo
de tratamento e de sua efetiva concentração. Como se sabe, há limitações inerentes à desinfecção de hidrocolóides irreversíveis. Também é
relatado por vários estudos que a desinfecção do alginato não traz diferenças clínicas significantes aos modelos obtidos e que, por isso, para se
evitar o risco de infecção cruzada, o clínico ou o profissional de laboratório protético deveriam estabelecer um método de desinfecção de rotina
para moldes e modelos de gesso. Assim, a partir do exposto, o objetivo
deste trabalho foi avaliar a efetividade na desinfecção de moldes de
hidrocolóide irreversível tipo I e de modelos de gesso pedra (tipo III), ou
em ambos, com solução de hipoclorito de sódio a 1%, verificando possíveis alterações dimensionais nos modelos de gesso e analisando a viabilidade de sua aplicação na clínica diária.
Material e método
Foi confeccionado um modelo-padrão cilíndrico em alumínio com
32 mm de diâmetro e 10 mm de altura, apresentando em sua superfície
linhas de referência; linha X (média) com 95 µm de largura, linha Y (fina)
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com 78 µm e linha Z (grossa) com 115 µm, todas elas com seus términos
delimitados por outras duas linhas, como mostra a Figura 1. A linha X
apresentava comprimento de 24,987 mm. Essas medidas foram feitas
com o auxílio de um projetor de perfil (Nikon Profile Projector Mod.
6TC2) com ampliação de 10 vezes.
Como moldeiras, foram usadas 20 unidades de tampões para canos
Linha X: 95 µm
Linha Y: 78 µm
Área escolhida
para leitura com
rugosímetro
LinhaZ:
Z: 115
115 µm
Linha
µm
24,987 mm
FIGURA 1 – Diagrama esquemático da superfície do modelo-padrão utilizado neste experimento. Na sua super fície observa-se a linha X (média), a linha Y (fina) e a linha Z
(grossa).
de PVC de 40 mm de diâmetro (Tigre do Brasil), cortadas em 15 mm de
altura. Os moldes foram obtidos com hidrocolóide irreversível de presa
rápida, de acordo com a especificação número 18 da ADA para material
de moldagem à base de alginato (Jeltrate Plus Tipo I, Dentsply) e os modelos obtidos com gesso pedra (tipo III) (Herodent – Soli Rock, Vigodent).
Os moldes foram contaminados com 0,1 mL de culturas de 24 horas
em meio líquido contendo os seguintes microrganismos: Escherichia
coli (ATCC 15.224), Staphylococcus aureus (ATCC 25.953), Bacillus subtilis (ATCC 6633) e Candida albicans (ATCC 36.801). A seguir, para o grupo
de controle, os moldes foram preenchidos e após 30 minutos os modelos
e moldes foram separados e a superfície de placas de Petri contendo
meio de cultura ágar infuso de cérebro-coração (ágar BHI, Difco) para os
microrganismos E. coli e B. subtilis, ágar sangue (base BHI, Difco) para S.
aureus e ágar Sauboraud (Difco) para C. albicans, foram impressionadas
com a superfície dos modelos. As placas foram incubadas a 37°C por
24/48 horas. Para C. albicans, as culturas permaneceram por mais 5 dias
110
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à temperatura ambiente para realização de uma segunda leitura. A seguir os moldes e modelos foram submetidos à desinfecção com hipoclorito de sódio a 1%, por imersão, pelos tempos de 10 e 30 minutos. A desinfecção foi realizada, conforme o grupo, no molde, no modelo e no
molde e modelo (Tabela 1). A seguir os moldes foram lavados com 10 mL
de água destilada esterilizada e nova coleta de microrganismos foi realizada.
A quantificação dos microrganismos que cresceram a partir da inoculação com o modelo foi realizada colocando-se a placa sob papel vegetal previamente delimitado (círculos com 32 mm de diâmetro ocupando 804 mm2) e registrando-se a área de crescimento. A seguir, com uso
de papel milimetrado, a área de crescimento foi medida calculando-se o
mm2 e transformando-o em percentual.
A temperatura ambiente medida com termômetro variou de 20 a
23°C durante todo o experimento.
A análise dimensional dos modelos foi realizada medindo-se o comprimento da linha X e analisando a rugosidade superficial em todos os
modelos no projetor de perfil e, posteriormente, levando os modelos para
análise em rugosímetro (Perthometer M4Pi), com comprimento útil de
percurso de leitura de 3,2 mm na área correspondente entre as linhas X e
Y (Figura 1).
Os resultados foram comparados estatisticamente pelo método da
distribuição normal, considerando-se um nível de significância de 5% (p
≤0,05).
Tabela 1 – Número de moldes e modelos utilizados para cada microrganismo, tempo de imersão (minutos) no hipoclorito de sódio
(1%) e tipo de desinfecção
Microrganismo
Controle –
sem
desinfecção
Desinfecção
Molde
Modelo
10’ 30’ 10’
Molde/
Total
Modelo
30’ 10’ 30’
S. aureus
5
5
5
5
5
5
5
35
E. coli
5
5
5
5
5
5
5
35
B. subtilis
5
5
5
5
5
5
5
35
C. albicans
5
5
5
5
5
5
5
35
20 20
20
20
20
20
140
Total
20
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Resultado
Para o grupo de controle a média da área de contaminação para S.
aureus foi de 515,8 mm2; E. coli, 402,8 mm2; B. subtilis, 487,6 mm2, provenientes de incubação por 24 horas, enquanto C. albicans apresentou
uma área de contaminação de 316,6 mm2. Ocorreu crescimento de
microrganismos apenas para o grupo modelo desinfetado por 10 minutos, nas seguintes quantidades: S. aureus, 376,6 mm2; E. coli, 19,6 mm2;
B. subtilis, 37,6 mm2 e C. albicans 2,4 mm2. Na Tabela 2, observam-se os
resultados da alteração no comprimento da linha X feita visualmente
através do projetor de perfil sob aumento de 10 vezes com a expansão
medida em milímetros e percentualmente.
Tabela 2 – Comprimento da linha X, expansão em milímetros e percentual na comparação entre o grupo de controle com os outros
grupos desinfetados
Grupo
Linha X em mm
Expansão em mm
Expansão (%)
Controle
25,055
0,068*
0,27*
Molde 10’
25,089**
0,034
0,14
Molde 30’
25,159
0,104
0,42
Modelo 10’
25,144
0,089
0,36
Modelo 30’
25,174
0,119
0,47
Molde/modelo 10’
25,159
0,104
0,42
Molde/modelo 30’
25,289
0,234
0,93
(*) Comparação entre o grupo de controle e o modelo-padrão.
(**) Medida estatisticamente semelhante à do grupo de controle.
Na Tabela 3, observa-se a comparação das alterações dimensionais, rugosidade superficial, alteração no comprimento da linha X e efetividade na desinfecção nos grupos estudados. O grupo em que houve
menor expansão de presa em razão do processo de desinfecção foi o
molde desinfetado por 10 minutos (0,034 mm/0,14%), enquanto o grupo
molde/modelo desinfetado por 30 minutos apresentou uma expansão
linear de presa de 0,234 mm (0,93%).
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Tabela 3 – Comparação entre dados dimensionais e microbiológicos
obtidos após a desinfecção de moldes e modelos
Grupo de controle
Avaliação da
rugosidade em
rugosímetro (µm)
Comprimento
da linha X
(mm)
Efetividade da
desinfecção
(mm)2
2,432
25,055
–
Molde
10’
2,139*
25,089
804 (100%)
Desinfetado
30’
1,832*
25,159*
804 (100%)
Modelo
10’
2,736
25,144*
683,26 (84,98%)
desinfetado
30’
2,377
25,174*
804 (100%)
Molde/Modelo
10’
2,050*
25,159*
804 (100%)
desinfetados
30’
3,009*
25,289*
804 (100%)
(*) Estatisticamente diferentes do grupo de controle.
Apresentou menor rugosidade o grupo molde desinfetado por 30
minutos com 1,832 µm, enquanto a superfície mais rugosa foi encontrada
no grupo molde/modelo desinfetado por 30 minutos com 3,009 µm.
Discussão
Vários estudos comprovaram a transferência de microrganismos da
boca para materiais de moldagem.13, 15, 16, 17, 19
Como um dos objetivos do presente trabalho foi a aplicação clínica
do procedimento de desinfecção de moldes e modelos, procurou-se simular a situação de desinfecção nos consultórios e por isso não se fez a
imersão do grupo de controle em água ou similar, o que não seria feito
na prática; no trabalho de Rueggeberg et al.,18 no entanto, em que os
autores mantiveram o controle imerso em água pelo mesmo tempo utilizado para os moldes desinfetados e não observaram diferenças significantes entre os grupos submersos (em H2O ou NaOCl), quando se consideram as alterações dimensionais. Para os resultados do presente
estudo, os moldes desinfetados por 10 minutos de imersão em solução de
hipoclorito de sódio mantiveram semelhança estatística com o grupo de
controle, embora este último tenha sido preenchido logo após a contaminação e enxágüe.
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Observou-se que houve crescimento de microrganismos no grupo
modelo desinfetado por 10 minutos, enquanto em todos os outros grupos houve a total redução dos microrganismos. Verificou-se portanto
que o hipoclorito de sódio é um desinfetante barato e de baixa toxicidade e mostrou-se efetivo contra S. aureus, E. coli, B. subtilis e C. albicans
utilizados neste estudo. Tebrock et al.23 conseguiram inibir totalmente o
crescimento de Bacillus subtilis usando solução de hipoclorito de sódio
(5,25%, 2,12% e 0,525%) por 10 minutos, quando desinfetou moldes de
hidrocolóide irreversível. Look et al.14 conseguiram resultados favoráveis
na desinfecção de moldes de alginato sobre o vírus da estomatite vesicular (VSV) na técnica de spray por 3 minutos com solução de hipoclorito
de sódio a 0,5%. Os autores sugerem trabalhos com tempos menores
para verificar a efetividade na desinfecção de moldes de alginato.
Em outras concentrações, Ivanovski et al.11 relataram não conseguir
reduzir totalmente as colônias de Mycobacterium phlei. Beyerle et al.7
notaram, após o procedimento de desinfecção, o crescimento de Mycobacterium bovis. Possivelmente o grande conteúdo de lipídios na parede
celular desses microrganismos possa interferir no princípio ativo das soluções de hipoclorito de sódio.
No presente estudo, na desinfecção de moldes e/ou modelos,
padronizou-se usar solução nova para cada amostra, porém isso não significa que ela não possa ser reutilizada. Gerhardt & Williams,9 por meio
de repetidas imersões de moldes de alginato em soluções de hipoclorito
de sódio a 0,6%, observaram que mesmo após a desinfecção de 80 moldes num período de 5 dias a solução de cloro ainda mantinha sua atividade bactericida.
O resultado desfavorável de desinfecção do molde por 30 minutos
possivelmente ocorreu pela deterioração do material causada pela solução de hipoclorito de sódio, como relata Tullner et al.,24 apesar de o
autor ter usado solução mais concentrada (5,25% NaOCl).
Nas observações quanto à rugosidade superficial dos modelos
observa-se que, apesar de o grupo desinfetado por 10 e 30 minutos apresentar pequenas diferenças entre si, estas não foram estatisticamente
significantes. Já nos grupos molde desinfetados por 10 e 30 minutos houve
um decréscimo na rugosidade superficial, resultados semelhantes aos relatados por Tan et al.,22 que sugeriram a capacidade da solução de hipoclorito de sódio em remover o exsudato da sinérese do molde de alginato, o que poderia proporcionar melhor qualidade superficial.
Os resultados do presente trabalho demonstraram que houve expansão no grupo de controle em relação ao modelo-padrão de 0,27%
114
Rev. Odontol. UNESP, São Paulo, 30(1): 107-119, 2001
contra os 0,2% previstos pelo fabricante do gesso. Quanto aos grupos
desinfetados, todos apresentaram expansão no comprimento da linha X,
porém o grupo molde desinfetado por 10 minutos não se apresentou
estatisticamente diferente do de controle (0,5%). A média de expansão
de 0,034 mm foi superior aos 0,025 mm aceitos pela ADA como admissíveis para a espessura de agente cimentante a ser utilizado, por exemplo,
na cimentação de próteses parciais fixas ou coroas unitárias. Contudo,
esse tipo de gesso (pedra tipo III) e de material de moldagem (alginato
tipo I) não são indicados para procedimentos protéticos de precisão,
para os quais a melhor opção seria moldagem com elastômero e modelos preenchidos com gesso tipo IV.
A desinfecção de moldes pareceu-nos mais adequada que a de
modelos, pois após a obtenção desses últimos os profissionais não trabalhariam com materiais contaminados no ato do descarte e da limpeza.
Quanto às alterações obtidas nos modelos, os resultados do presente
trabalho estão de acordo com Abour et al.,1 quando se considera a limitação dos materiais baseando-se mais nas alterações dimensionais,
como a expansão da linha X, do que na perda de detalhes como observado na rugosidade superficial. O grupo molde desinfetado por 10 minutos apresentou uma menor expansão linear e melhor qualidade superficial
quando comparado ao de controle; além disso, não apresentou crescimento de nenhum dos microrganismos usados para o estudo. Dessa maneira, os resultados do presente trabalho demonstram ser esse o melhor
e mais prático método de desinfecção de moldes de alginato tipo I, com
modelos de gesso pedra (tipo III), estando de acordo com a indicação da
Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (1995). Para outros tipos de
alginato e gesso, ou mesmo outros tipos de materiais de moldagem, seriam necessários mais estudos, não apenas para comprovar a efetividade
de desinfecção, mas que não alterassem dimensionalmente os modelos
para o fim a que são destinados.
Novos estudos na área de desinfecção ainda se justificam, considerando-se a inativação do vírus da hepatite B e de Mycobacterium tuberculosis, cuja transferência a materiais de moldagem está comprovada
desde 1963 pelo trabalho de Ray & Fuller.17 Observa-se nos resultados
de trabalhos de alguns autores a relativa resistência à desinfecção pelos
agentes mais usados atualmente, como glutaraldeídos e soluções de hipoclorito de sódio apresentada por microbactérias como M. phlei e M.
bovis.
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115
Conclusão
Após a análise dos resultados obtidos, pode-se concluir que:
●
a desinfecção por imersão de modelos de gesso por 10 minutos,
embora reduzindo a porcentagem da área de contaminação, não foi
considerada efetiva;
●
a desinfecção foi 100% efetiva nos grupos molde desinfetados por 10 e
30 minutos, modelo desinfetado por 30 minutos e molde/modelo desinfetado por 10 e 30 minutos de imersão;
●
há menor expansão de presa observada no grupo molde desinfetado
por imersão durante 10 minutos, a qual pode ser considerada clinicamente insignificante;
●
a desinfecção de moldes de alginato tipo I por imersão em solução de
hipoclorito de sódio a 1% para obtenção de modelos de gesso pedra
(tipo III) pode ser indicada para modelos de estudo, antagonistas de
próteses parciais fixas, aparelhos ortodônticos removíveis, próteses
parciais removíveis provisórias ou próteses totais, e para todos aqueles modelos onde não se exija estrita precisão dimensional.
SANTOS, E. M., JORGE, A. O. C. J. Irreversible hydrocolloid impressions and
gypsum casts disinfection in sodium hypochlorite: efficiency and dimensional stability. Rev. Odontol. UNESP (São Paulo), v.30, n.1, p.107-119,
jan./jun. 2001.
■
ABSTRACT: It was evaluate, in vitro, the effectiveness of the disinfection by
immersion in sodium hypochlorite solution (1%) of impressions of irreversible
hydrocolloid (type I -fast setting) and casts of plaster stone (type III). Impressions and casts were obtained from a standardized master cast. The contamination was accomplished with 0,1 mL of cultures of Staphylococcus aureus,
Escherichia coli, Bacillus subtilis and Candida albicans, and the disinfection
was accomplished in the impressions, casts and in both during 10 and 30 minutes. After disinfection, the casts had their surface printed for 30 seconds on the
surface of culture means in accordance with the tested microorganism and
after incubation the growing was observed calculating the growing area.
Then the casts were visually assessed and through the Perthometer for the
verification of the superficial roughness. The disinfection was ineffective for
the cast group disinfected for 10 minutes, where microorganisms had grown.
In the dimensional analysis the worst results were obtained in the impres-
116
Rev. Odontol. UNESP, São Paulo, 30(1): 107-119, 2001
sion/cast group disinfected for 30 minutes and the best results were obtained
by the impression group disinfected by 10 minutes. It was concluded through
this study that the disinfection of impressions by immersion in sodium
hypochlorite solution at 1% was an effective proceding taking into consideration the tested microrganismos.
■
KEYWORDS: Alginate; gypsum model; disinfection; sodium hypochlorite.
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